Finda

Escrevo meus versos como bebo teus suores,
Eu te reúno aos meus pés para que assim me adores.
Faço longas orações com dobras de palavras tuas,
Cerco corpo e mente, pele e alma, casa e rua…
Mas há um vento que sussurra perspicaz
Chama-me de estúpido e evoca-me o jamais.

Tal notas da canção de outrora,
Tal como breve foi a linda aurora,
Assim fugaz se fizeram os dias, os anos e a vida
Agora são rastros de primavera findada, caída
São ecos de um nada túrgido e contido
Nada que tudo foi, nos tempos que foi vivido.

Eu forço minha voz, até onde ela alcança
Escrevo transparente, jogo-te alianças
Eu te puxo em pensamento e sonhos constantes
Creio que me ouves, mas sou tolo relutante.
Meu espírito é um grito de silêncio urgente
Sou cada vez mais alma, mais éter, menos gente.

Mas as forças vão-se em breve,
Pois a ouvir-me não te atreves,
E logo desisto, cansado, só e mudo.
Finda o nós, amor, finda tudo.

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