Eu te prometo

Eu te prometo ser um universo à parte no seu mundo frágil de papéis. Prometo trazer nos meus olhos as constelações que, no céu, já assistimos dançar. Vou ser um respiro suave e um sorriso plácido nas suas horas de confusão, uma brisa fria quando for demais o calor sufocante. Prometo ser o vulto na cama quando a insônia vier, o corpo quente que se aproxima nas nuvens lentas dos seus sonhos. Terei sempre os ouvidos abertos para os seus segredos e pecados. Sussurre-os sem medo.

Conte-me seus temores e prometo que os levo para um passeio nos belos jardins de setembro. Dissolverei as suas sombras nos ares claros de nossos dias futuros, como um véu de mágica ao redor da varinha de condão. Tantas e tantas algemas que ainda vejo, tantos muros ao seu redor, mas prometo que vão ficar para trás. Serão como fotografias de uma outra vida que já não teremos por perto, as ruínas devastadas de uma cela do tempo que passou.

Haverá dias ruins, que, no entanto, não virão para ficar, porque prometo esperar que se desfaça a tempestade antes de seguir viagem. Teremos nossa embarcação à deriva, num oceano inconstante, e nossas velas obedecerão aos melhores ventos que chegarem. Iremos para frente, prometo, mesmo sem saber o destino certo. Faça chuva ou sol, ainda seremos nós, ainda no mesmo barco.

Tentaremos esse encaixe famoso que nos prometem por aí, dizendo que devemos ser um só. Talvez não sejamos duas peças de arestas perfeitas, mas mesmo assim prometo podar-me às suas formas e também aparar suas quinas com cuidado, para que um dia se fundam em perfeito enlace essas duas partes diferentes.

Queria também te prometer o mundo, mas foge de mim dizer que posso subjuga-lo. O mundo é feroz e não nos obedece. Tudo que temos a fazer é deixa-lo por aí rodopiando em nosso entorno, tragando-nos de vez em quando ou, por vezes, cochilando aos nossos pés. Prometo enfrentá-lo com você, ou acaricia-lo quando nos vier com os olhos marejados.

Queria prometer que estarei sempre do seu lado, mas a vida também não me pertence. É um milagre com prazo determinado. Prometo então ser tudo que posso ser no tempo que terei, e sei que terá sido suficiente para cumprir tudo que jurei fazer. Será por um dia ou uma década, por um segundo ou vinte anos, mas prometo que terei sido a melhor parte de tudo e o maior dos tempos vividos. Prometo ser então, agora, a sua vida inteira. Olhe-me nos olhos e veja, nas pupilas negras que aqui cultivo, como nelas se encaixa perfeitamente o seu rosto. São como molduras de um quadro que te guarda, sorrindo, até o dia em que se fechem as cortinas.

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